Mercado 360
Investimentos

Como fintechs e bancos disputam crédito no Brasil?

17 de setembro de 2026 6 min de leitura
Fintechs e bancos: disputa de crédito no Brasil hoje
Nesta página

Fintechs e bancos disputam crédito no Brasil por preço, distribuição digital e risco: as fintechs de crédito digital concederam R$ 53,8 bilhões em 2025, alta de 51% sobre 2024. Os bancos tradicionais ainda têm escala e participação maior na maior parte das carteiras, mas perderam espaço em cartões e pagamentos.

Qual é o espaço das fintechs no crédito brasileiro?

As fintechs brasileiras avançaram no crédito com oferta digital e produtos voltados a nichos pouco atendidos pelas instituições tradicionais. O Brasil tinha mais de 1.580 fintechs ativas em 2024, distribuídas em mais de 15 segmentos, segundo o mapa da CSB Fintech. O crédito é apenas um desses segmentos, ao lado de pagamentos, seguros, investimentos e gestão financeira. A expansão não significa que toda fintech opere como banco ou possa captar depósitos. Parte das empresas atua como correspondente bancário, sociedade de crédito direto ou plataforma que conecta clientes a instituições financeiras. A diferença regulatória altera a forma de conceder crédito, captar recursos e absorver inadimplência.

Como cartões e crédito pessoal mudaram de mãos?

As fintechs brasileiras ganharam participação mais visível em cartão de crédito e crédito pessoal não consignado. No quarto trimestre de 2022, as fintechs respondiam por 16,8% do mercado de cartões e por 10,0% do crédito pessoal não consignado, segundo estudo citado pela CNN Brasil. Esses produtos podem ser contratados e usados inteiramente por aplicativo, o que reduz a necessidade de rede física para aquisição e atendimento. Os bancos tradicionais mantêm vantagem em clientes com relacionamento longo, conta-salário, garantias e múltiplos produtos financeiros. A comparação abaixo mostra a participação das fintechs naquele recorte e a parcela restante do mercado, calculada por diferença.

Produto bancárioParticipação das fintechs no 4º trimestre de 2022Parcela restante do mercado
Cartão de crédito16,8%83,2%
Crédito pessoal não consignado10,0%90,0%
Financiamento de veículos6,6%93,4%
Crédito consignado4,6%95,4%
Crédito total3,4%96,6%

Os percentuais da tabela foram divulgados pela CNN Brasil com referência ao quarto trimestre de 2022. A parcela restante é um cálculo aritmético e não representa exclusivamente bancos tradicionais, pois pode incluir outras instituições financeiras.

Por que bancos ainda concentram a maior parte do crédito?

Os bancos tradicionais ainda concentravam 96,6% do crédito total no quarto trimestre de 2022, quando as fintechs detinham 3,4% dessa carteira, conforme dados publicados pela CNN Brasil. A escala explica parte dessa diferença. Bancos oferecem conta, crédito, cartões, cobrança, tesouraria e financiamento para a mesma base de pessoas e empresas. Bancos também costumam ter mais histórico de movimentação financeira para avaliar risco e fontes diversificadas de recursos para financiar carteiras maiores. As fintechs competem ao usar dados alternativos, jornadas mais curtas e canais digitais. A objeção central é que contratação simples não garante custo menor: a taxa final depende do perfil de risco, prazo, garantias e política de crédito de cada instituição.

Como o Pix mudou a disputa por clientes financeiros?

As fintechs responderam por 50% das transações feitas via Pix em 2025, ante 25,5% em 2020, segundo dados do Banco Central citados pelo Finsiders Brasil. Pix é o sistema de pagamentos instantâneos criado pelo Banco Central do Brasil, lançado em 2020. A participação nas transações não equivale à participação no crédito, mas amplia o relacionamento diário com o cliente. Uma conta usada para receber, pagar e transferir pode gerar dados de fluxo financeiro que ajudam a instituição a oferecer cartão, limite ou empréstimo. Os bancos tradicionais também participam do Pix e mantêm grande base de correntistas. A disputa passou a depender menos da agência e mais de quem entrega pagamento confiável, atendimento e oferta de crédito adequada ao uso da conta.

Qual foi o efeito da concorrência sobre as tarifas?

A concorrência associada à entrada das fintechs gerou economia estimada de R$ 7,9 bilhões em tarifas bancárias para clientes no último trimestre de 2022, segundo estudo citado pela CNN Brasil. A redução de tarifas pode ocorrer quando plataformas digitais oferecem conta sem mensalidade, transferências sem cobrança ou cartões sem anuidade. Bancos tradicionais responderam com pacotes digitais, contas gratuitas e revisão de serviços cobrados. A economia em tarifa não deve ser confundida com economia no crédito. Uma conta gratuita pode coexistir com juros elevados em empréstimo ou rotativo do cartão. Consumidores e empresas precisam comparar o Custo Efetivo Total, conhecido pela sigla CET, que reúne juros, tarifas, tributos, seguros e outros encargos da operação.

Que critérios ajudam a comparar fintech e banco?

O CET, o prazo e as condições de pagamento ajudam a comparar fintechs e bancos porque o volume de crédito das fintechs digitais chegou a R$ 53,8 bilhões em 2025, segundo a Forbes Brasil, mas o produto pode variar muito entre instituições. Uma proposta com liberação rápida pode custar mais se tiver prazo curto ou taxa maior. Uma linha bancária pode oferecer garantia ou parcela menor, mas exigir relacionamento, documentação ou análise mais longa. A decisão deve considerar a necessidade específica, e não apenas a marca da instituição.

  • O cliente deve comparar o CET informado antes da contratação, pois esse indicador reúne os custos da operação.
  • A empresa deve verificar prazo de liberação, número de parcelas e regras para quitação antecipada.
  • O tomador deve confirmar se existe garantia, seguro embutido ou tarifa de abertura de crédito.
  • O usuário deve checar se a instituição é autorizada ou regulada pelo Banco Central para a atividade oferecida.

O crédito digital cresceu sem reduzir o risco?

O crédito digital cresceu junto com a necessidade de controle de risco: as fintechs de crédito digital concederam R$ 53,8 bilhões em 2025, 51% acima do registrado em 2024, de acordo com a Forbes Brasil. O crescimento amplia a concorrência por clientes, mas não elimina a análise de capacidade de pagamento. Fintechs e bancos podem negar crédito, reduzir limites ou cobrar taxas diferentes conforme renda, histórico, garantias e nível de endividamento. A expansão dos neobanks, bancos digitais com operação sem rede ampla de agências, também foi relevante: o saldo de crédito ativo dessas instituições cresceu mais de 360% entre 2021 e 2025, segundo o Diário do Comércio. O resultado para o cliente depende da proposta individual e da comparação transparente de custos.

Perguntas frequentes

Fintech pode conceder empréstimo no Brasil?

Fintechs podem atuar no crédito conforme seu modelo e enquadramento regulatório. O Brasil tinha mais de 1.580 fintechs ativas em 2024, distribuídas em mais de 15 segmentos, segundo o mapa da CSB Fintech.

Fintech cobra juros menores que banco?

Não necessariamente. A comparação deve usar o CET, prazo, garantias e encargos de cada proposta, pois a economia de R$ 7,9 bilhões em tarifas no último trimestre de 2022 não mede o custo dos empréstimos, conforme estudo citado pela CNN Brasil.

Qual é a participação das fintechs no cartão de crédito?

As fintechs tinham 16,8% do mercado de cartão de crédito no quarto trimestre de 2022. O dado foi publicado pela CNN Brasil.

As fintechs dominam o Pix?

As fintechs responderam por 50% das transações via Pix em 2025, contra 25,5% em 2020. A informação é baseada em dados do Banco Central citados pelo Finsiders Brasil.

Quanto as fintechs emprestaram em 2025?

As fintechs de crédito digital concederam R$ 53,8 bilhões em empréstimos em 2025, alta de 51% em relação a 2024. O número foi divulgado pela Forbes Brasil.

Banco tradicional ainda tem mais crédito que fintech?

Sim, no recorte do quarto trimestre de 2022, as fintechs tinham 3,4% do crédito total, o que indica predominância das demais instituições no mercado. Os percentuais foram publicados pela CNN Brasil.

Leia também